A melhoria dos resultados depende da organização dos processos hospitalares. Seu hospital está organizado?

Pense bem antes de responder.
Existe uma sinergia negociada entre os serviços internos do seu hospital?
Existe alinhamento entre as lideranças de diferentes vocações (médicos x enfermeiros x administradores x nutricionistas x fisioterapeutas x farmacêuticos, etc.) para que objetivos comuns sejam atendidos, privilegiando a experiência dos pacientes?
Seu sistema de informações está preparado para apoiar a dinâmica assistencial e médica? Ou é apenas uma máscara para garantir a integridade de documentos burocráticos, com uma quantidade imensa de retrabalhos, e que, mesmo assim, tem registros questionáveis e furos conhecidos de dados importantes?
Seus colaboradores estão qualificados para atuarem de forma decisiva e profunda na resolução dos problemas e aflições de pacientes e familiares? Tem autonomia para isso?
As lideranças estão alinhadas, jogando o mesmo jogo? Existe uma linha sucessória que garanta a continuidade dos projetos ao longo do tempo?
E falando em projetos, como eles estão estruturados? Estão documentados, com cronogramas e custos previstos?
Existe um planejamento institucional, com definições claras de missão, visão e valores? Existe desdobramento de ações para todos os colaboradores, com indicadores e metas factíveis?
A cadeia de rotinas e responsabilidades está organizada? Cada um sabe o seu papel? Os tempos e movimentos necessários para cada tipo de atendimento estão padronizados? Ou ainda dependem de atos heróicos a cada dia, para que os horários sejam respeitados?
O hospital é uma instituição complexa, uma engrenagem que depende de organização sistêmica para atingir resultados, caso contrário, o cenário que se estabelece é de descontrole, com dificuldade para controlar custos, otimizar receitas e encantar, fazer a diferença na vida de pacientes, familiares e colaboradores.
Esta organização sistêmica pressupõe um programa verdadeiro de qualificação de colaboradores, supervisão profissional dos processos, planejamento institucional, controles administrativos, conscientização do corpo clínico e envolvimento da alta administração.
Certificações e programas de qualidade certamente são bem vindos, e auxiliam muito no desenvolvimento de ambientes saudáveis, mas não são mágicos. A grande decisão organizacional é um exercício permanente de desenvolvimento, conscientização e discussão clara dos problemas complexos que permeiam o ambiente hospitalar.
É importante, acima de tudo, entender que não existe uma "receita de bolo". Cada hospital tem particularidades e serviços estabelecidos com pormenores que demandam intervenções sob medida. O que funciona em um lugar, não funcionará necessariamente em outro hospital, pois são inúmeras as variáveis intervenientes que pode alterar o curso de uma mesma ação.

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