Na área hospitalar temos um cenário já bastante complicado, e com tendência a piorar. Hospitais enfrentam inúmeros desafios de sustentabilidade, com o esgotamento do modelo atual de financiamento, crises recorrentes entre pagadores e prestadores, e questionamentos éticos de toda sorte, que convergem para dificuldades crescentes para gerenciar custos, concatenado à tendência agressiva de aumento no Tempo Médio de Permanência dos pacientes (um reflexo direto do aumento da expectativa de vida no mundo inteiro).
É necessário, fundamental, discutir e elevar o entendimento e a eficiência de uso de recursos e da capacidade instalada de nossos hospitais. A gestão de leitos hospitalares é pouco discutida, ainda é uma "zona cinza", na maioria dos hospitais, com vários desperdícios que podem ser contornados com ações simples e objetivas, capazes de otimizar a ocupação hospitalar. Existem muitas falhas de comunicação e zonas de conforto entre os setores hospitalares. E, sem uma intervenção de gestão, ninguém quer recuar em seus processos já estabelecidos.
Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sugerem que há grande variação no tempo de internação entre os países. Além disso, estas médias em nível nacional disfarçam as diferenças do tempo de permanência entre os hospitais em um determinado país. Isto sugere que os hospitais têm a oportunidade de criar rapidamente a capacidade trabalhando para reduzir o tempo de permanência sem acrescentar custos ou afetar a qualidade (Advisory Board, The Discharge Strategy Handbook).
Segundo levantamento realizado pela Advisory Board, a gestão ótima dos leitos hospitalares representa um aumento direto da capacidade virtual de ocupação. Por exemplo, para um hospital com 400 leitos, a redução de 1 dia no Tempo Médio de Permanência é equivalente ao acréscimo de 65 leitos na capacidade de ocupação (tabela abaixo).

Este resultado é alcançado com abordagens clínicas (protocolos, definição de linhas de cuidado, diretrizes clínicas, etc.), assistenciais (organização das unidades de internação, por tipo de paciente, planejamento das altas, etc) e administrativas (monitoramento de tempos e movimentos, regramentos burocráticos, controles e estabelecimento de padrões e prioridades institucionais).
Grande lição de casa, para todos nós.
Abraços.
Grande lição de casa, para todos nós.
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