De tempos em tempos eu volto no assunto APRIMORAMENTO DOS MOVIMENTOS HOSPITALARES, que considero muito sério. Hospitais são permissivos com alguns processos críticos, e esta tolerância tem impacto gritante nos resultados. Neste artigo, mais uma vez vamos discutir o processo da Alta Hospitalar. Afinal, ter pacientes em condições de alta e que ficam ocupando os leitos por pura conveniência é o desperdício supremo, uma vez que quase tudo no hospital gira em torno da ocupação dos leitos.
Não é difícil de entender por que isso ocorre. Afinal, para o pessoal que está ali na linha de frente, agilizar a alta hospitalar significa começar um novo atendimento, muitas vezes no final de um plantão exaustivo, com tarefas acumuladas e concorrentes... É mais fácil fazer vista grossa e empurrar para quem está chegando no plantão. E aí, cria-se a cultura da tolerância improdutiva.
Se o aprimoramento dos processos hospitalares estiver ligado ao desenvolvimento natural de uma consciência operacional coletiva, estamos fritos. Estamos falando de uma consciência produtiva capaz de dinamizar o giro de leitos, mas o colaborador que está ali trabalhando dia após dia, ganha o mesmo salário, independente de quantos pacientes atender. Então, pra que correr? Melhor deixar como está, sem pressa. Tudo dominado. No final do mês o salário é o mesmo.
Prezados amigos gestores hospitalares, desculpem a franqueza, mas é exatamente assim que funciona. Lógico que não estou falando de algo irresponsável, como não atendimento. Estou falando daquele pequeno "empurrãozinho com a barriga".
Pra quebrar esse ciclo improdutivo, é necessário focar em supervisão presencial e medição formal de desempenho, criar rotinas diárias de análise, e construir relacionamentos positivos e monitorados com clareza entre as áreas, definindo bem as expectativas, resultados e o papel específico de cada um na organização geral.
O tema é tão importante, que não é exagero algum pensar em um controle central, com uma visão administrativa / gerencial, concatenando médicos, equipes assistenciais, limpeza, manutenção, hotelaria, transporte, assistente social, fisioterapeutas, dentre outros envolvidos na preparação da alta. As rotinas e expectativas de como cada um precisa atuar devem estar escritas, divulgadas, entendidas.
O fluxo de pacientes críticos tem que ser claro, pressupondo sempre a análise prévia dos casos, sem demoras e sem burocracias burras, mas também sem menosprezar o impacto que um paciente não autorizado pode representar quando os controles falham.
Os tempos e movimentos pertinentes à cada atividade devem ter metas simples e objetivas, e as equipes devem sempre receber feedback sobre seu desempenho. Abordagens diárias.
Estamos falando de tarefas repetitivas, enjoativas. Sem convicção da alta administração, é fácil que sejam relegadas à um segundo plano, quando existirem leitos disponíveis. E é exatamente por isso, pelo relaxamento e enfraquecimento das rotinas e do monitoramento dos leitos, do desempenho e dos controles institucionais, que deixam de existir leitos disponíveis.
A Gestão de Leitos Adequada e o Aprimoramento das Altas Hospitalares devem ser fundamentados em princípios operacionais claros, auditáveis, com envolvimento e comprometimento de todas as partes interessadas. Existem trabalhos muito interessantes sobre as boas práticas para o giro dos leitos.
Particularmente, recomendo a leitura do "Manual de Estratégia de Altas", da Advisory Board, de onde tirei o quadro abaixo:
O fato é que hoje muito se fala em "aprimorar a experiência dos pacientes e familiares", mas não existem grandes mudanças nos processos hospitalares. Até mesmo as mudanças simples encontram ampla resistência no ambiente hospitalar, naturalmente conservador.
Mais um exemplo do "Manual de Estratégia de Altas", da Advisory Board, que coloca como 1º obstáculo a falta de priorização da alta em ambiente agudo:
Fica a dica:
Este é um primeiro e enorme passo: Envolvimento e conscientização de equipes médicas e assistenciais, para que as altas sejam priorizadas.
Falaremos mais sobre isso em breve.
Vamos em frente.
Abraços.



Comentários
Postar um comentário